terça-feira, 2 de agosto de 2011

Expressões do Norte Carago!!


Como devem saber, existe na população do Norte Carago uma grande tendência para o uso de palavras cujo seu significado se pode considerar, digamos que a modos que rude, isto é, o uso de palavrões. Claro que nestas paragens o constante uso dessas palavras, pela força de tanto uso e a forma como são inseridas nas frases fez com que muitas das vezes o seu significado não seja tão agressivo mais por força de serem usadas como forma de Ênfase, tal como o uso de um ponto de exclamação.
                Por exemplo, num outro qualquer local do país diriam:
- Hei que grande golo!
                No Norte Carago diz-se:
- Hei que grande golo caralho.
                Ou até como se fossemos espanhóis, usando o duplo ponto de exclamação:
- Foda-se, hei que grande golo caralho.
                Claro que quem é desta bela terra sabe quando as ditas palavras são usadas com um ou outro sentido, por isso para aqueles que não estão familiarizados com tais subtilezas do uso de tais vocábulos deixo aqui uma dica para não confundirem o uso expressivo dos mesmos por nobres gentes com o seu uso enquanto real obscenidade. Sendo assim notem que a quando do uso em todo o seu significado, o dito vocábulo nunca é expresso só, isto é, vem sempre uma torrente deles. É foda-se, caralho, puta que pariu e tudo o mais dito numa única frase, seguidos e sem paragens para recuperar o fôlego.
                Agora uma coisa caricata. Estava a minha mãe a relembrar um episódio dela. Conta que um dia confessou ao padre fazer parte de tais nobres gentes e usar do seu nobre costume. O padre sugeriu-lhe então que ela trocasse as tais vis palavras por um “Ai Nossa Senhora”, de forma a não ofender ninguém e coisa e tal.
                Sobre tal coisa dei comigo a realizar um exercício mental. Trocar os vernáculos pela sugestão do Sr. Padre nos mais diversos actos do quotidiano. Convido-vos agora a seguirem comigo este exercício.
                Ora está um homem a ver a bola no estádio, o árbitro comete, ao nosso ver que é o que conta, um erro contra a nossa equipa. Vai daí levantamo-nos e começamos a nossa torrente de conselhos ao dito árbitro, tendo claro em atenção a sugestão do padre:
- O seu Ai N. Sra., apita no Ai N. Sra., seu Ai N. Sra. da merda!
                Muito mais educado! Até podemos ser mais gentis para a mãe do Sr.
- O seu Ai N. Sra., a tua mãe devia ser mesmo uma grande Ai N. Sra. para ter um Ai N. Sra. Como tu!
                Como se poderia ver e ouvir, tudo um mundo de respeitinho pela senhora mãe do senhor árbitro.
                Agora imaginem como seria a conversa de um casal na cama durante a rambóiada.
- Ai sim! Ai N. Sra.-me toda! Isso, isso, dá-me com esse teu Ai N. Sra. todo! Isso, come-me a Ai N. Sra. Sem piedade! Isso, que eu fui uma menina muito má!
                Soa bem, recuperar o pudismo de outros tempos! Então se dito estando-se de joelhos, quem visse diria que estavam a rezar!
                Certo era que o civismo nas estradas seria muito maior se trocássemos o “mexe-te meu cabrão” por um mais bonito “mexe-te meu Ai N. Sra.”. Então em dias importantes em Fátima tornaria o lugar bem mais bonito.
                Mas lá está, gente do Norte Carago é outra coisa caralho!

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